Os ciganos e o Holocausto — O Porajmos
O que os próprios chamam de Porajmos, que significa “o que foi devorado”, ou Samudaripen, “o extermínio”, é o nome dado ao genocídio sofrido pelo povo cigano — Rom, Calons e Sintós — durante o regime nazista, entre 1933 e 1945.Foi uma tragédia histórica que durante muito tempo permaneceu esquecida ou pouco reconhecida, apesar de ter atingido quase toda a sua população.
O que os próprios chamam de Porajmos, que significa “o que foi devorado”, ou Samudaripen, “o extermínio”, é o nome dado ao genocídio sofrido pelo povo cigano — Rom, Calons e Sintós — durante o regime nazista, entre 1933 e 1945.
Foi uma tragédia histórica que durante muito tempo permaneceu esquecida ou pouco reconhecida, apesar de ter atingido quase toda a sua população.
Por que foram perseguidos
Para o regime nazista, os ciganos eram considerados “raça inferior”, “estranhos” ou “indesejáveis”, da mesma forma que os judeus — chegando inclusive a ser incluídos nas Leis de Nuremberga, que os privaram de cidadania, direitos e liberdade, definindo‑os como inimigos do Estado. Essa perseguição não surgiu só naquele período: vinha de séculos de preconceito, discriminação e exclusão em toda a Europa.
Números e dimensão da tragédia
Antes da guerra, viviam cerca de 1 milhão a 1,5 milhão de ciganos na Europa.
Estima‑se que entre 200 000 e 500 000 tenham sido assassinados — cerca de 25 % de toda a sua população europeia; em certos países, como Áustria, Estónia e Chéquia, morreram até 80 % ou 90 % dos que lá viviam. Todos os grupos sofreram: Rom, Calons e Sintós, sem
distinção — homens, mulheres, idosos e crianças, sem exceção.
Como ocorreu a perseguição
Para o regime nazista, os ciganos eram considerados “raça inferior”, “estranhos” ou “indesejáveis”, da mesma forma que os judeus — chegando inclusive a ser incluídos nas Leis de Nuremberga, que os privaram de cidadania, direitos e liberdade, definindo‑os como inimigos do Estado. Essa perseguição não surgiu só naquele período: vinha de séculos de preconceito, discriminação e exclusão em toda a Europa.
Desde 1935: proibição de falar a sua língua, casar com quem quisessem, exercer os seus ofícios; prisões, esterilizações forçadas, trabalhos forçados. Deportações em massa para os campos de concentração e extermínio — Auschwitz‑Birkenau, Dachau, Buchenwald, Ravensbrück, entre outros. Em Auschwitz existia um setor exclusivo, chamado “acampamento cigano”: no dia 2 de agosto de 1944, todos os cerca de 4 300 que ali restavam — na maioria crianças, mulheres e idosos — foram mortos nas câmaras de gás. Por isso, essa data é hoje o Dia da Memória do Porajmos. Também foram mortos em fuzilamentos coletivos, nas estradas, nas aldeias, pelas tropas especiais que percorriam a Europa ocupada.
Em Auschwitz existia um setor exclusivo, chamado “acampamento cigano”: no dia 2 de agosto de 1944, todos os cerca de 4 300 que ali restavam — na maioria crianças, mulheres e idosos — foram mortos nas câmaras de gás. Por isso, essa data é hoje o Dia da Memória do Porajmos. Também foram mortos em fuzilamentos coletivos, nas estradas, nas aldeias, pelas tropas especiais que percorriam a Europa ocupada.
O silêncio e o reconhecimento
Ao contrário de outras vítimas, durante décadas quase nada se falou ou escreveu sobre isto: a história oficial ignorou‑os, não houve reparações, nem reconhecimento. Apenas em 1982, a Alemanha reconheceu oficialmente que se tratou de um genocídio planejado e sistemático — e só muito mais tarde outros países seguiram o exemplo. Para muitos sobreviventes, o sofrimento continuou depois da guerra: continuaram discriminados, sem direito a regressar às suas terras, sem apoio, como se a sua dor não existisse.
Ligação com o que celebramos no dia 24 de maio
Hoje, quando homenageamos o povo cigano, invocamos também essa memória: a sua incrível capacidade de resistir, manter e preservar a sua cultura, mesmo depois de terem tentado apagá‑los da história. Rom, Calons e Sintós, não só sobreviveram: mantiveram vivas as suas tradições, a sua fé — incluindo a devoção a Santa Sara e a São Zeferino Malla —, a sua língua, a sua arte, provando que nada consegue vencer a força da sua identidade.
Sofreram o pior que a humanidade foi capaz de fazer, mas continuam aqui — presentes, vivos, contribuindo e enriquecendo o mundo inteiro.
Os ciganos e a sua exterminação durante o Holocausto: frente à preservação cultural nos dias atuaisO Porajmos: o genocídio esquecido
Durante a Segunda Guerra Mundial, os nazistas classificaram os povos ciganos — roma, sinti, calé e outros grupos — como "raça inferior" e "indesejáveis", traçando um plano sistemático de eliminação que ficou conhecido entre eles como Porajmos, ou seja, "a devoração". Estima-se que entre 200 mil e 500 mil pessoas tenham sido assassinadas na Europa, cerca de 25% de toda a população cigana da época.
- Medidas de perseguição: desde 1933, foram proibidos de frequentar espaços públicos, levados a campos de concentração, submetidos a esterilização forçada, trabalhos escravos, experimentos médicos e morte em câmaras de gás. A ordem oficial de deportação geral foi dada em dezembro de 1942, levando milhares diretamente a Auschwitz-Birkenau.
Reconhecimento tardio:
- Só em 1982 a Alemanha reconheceu oficialmente que se tratou de genocídio; por décadas, o assunto foi ignorado nos livros de história e negado nas políticas de reparação. O dia 2 de agosto é hoje lembrado mundialmente como Dia de Memória do Porajmos.
- Esse processo visava não só eliminar vidas, mas destruir completamente sua identidade, língua, costumes e modo de vida, pois a cultura cigana foi vista como um obstáculo ao projeto de "pureza racial".
- Medidas de perseguição: desde 1933, foram proibidos de frequentar espaços públicos, levados a campos de concentração, submetidos a esterilização forçada, trabalhos escravos, experimentos médicos e morte em câmaras de gás. A ordem oficial de deportação geral foi dada em dezembro de 1942, levando milhares diretamente a Auschwitz-Birkenau.
Reconhecimento tardio: - Só em 1982 a Alemanha reconheceu oficialmente que se tratou de genocídio; por décadas, o assunto foi ignorado nos livros de história e negado nas políticas de reparação. O dia 2 de agosto é hoje lembrado mundialmente como Dia de Memória do Porajmos.
- Esse processo visava não só eliminar vidas, mas destruir completamente sua identidade, língua, costumes e modo de vida, pois a cultura cigana foi vista como um obstáculo ao projeto de "pureza racial".
Preservação cultural hoje: resistência e reconhecimento
A sobrevivência do povo cigano é, em si mesma, um ato de preservação. Hoje, lutam para recuperar, manter e difundir sua cultura, ainda sob forte preconceito e discriminação (chamada de anticiganismo), uma das formas de racismo mais persistentes na Europa e no Brasil.
Principais ações e avanços atuais:- Reconhecimento oficial:
No Brasil, foi instituído em 2024 o Plano Nacional de Políticas para Povos Ciganos, que prevê valorização da cultura, ensino da sua história, respeito à sua forma de viver e combate ao preconceito.
Países da União Europeia e organismos internacionais (ONU, Conselho da Europa) definem estratégias para proteger o patrimônio imaterial cigano e incluí-lo nos currículos escolares.
- Preservação da memória:
Criação de museus, memoriais e centros de documentação; inclusão do Porajmos nos estudos sobre o Holocausto.
Manutenção da transmissão oral: histórias, músicas, danças, artesanato, crenças e leis comunitárias continuam sendo passadas de geração em geração, como forma de resistência- Valorização da língua e expressões artísticas:
O idioma romani é ensinado em escolas e cursos; produções literárias, musicais e artísticas ciganas ganham espaço público.
Festivais, encontros e feiras culturais reforçam a identidade e quebram estereótipos. - Direito ao modo de vida:
Luta pelo reconhecimento da itinerância como parte fundamental da cultura, não como "vadiagem"; direito a territórios, moradia e organização comunitária própria.
Desafios que ainda existem:
- Preconceito enraizado e representações negativas na mídia.
- Pouca presença nos livros didáticos e desconhecimento geral da sua história.
- Risco de perda de tradições pela pressão à assimilação e exclusão social.
- Ainda hoje, são um dos grupos mais discriminados e marginalizados do mundo.
Principais ações e avanços atuais:
- Reconhecimento oficial:
Países da União Europeia e organismos internacionais (ONU, Conselho da Europa) definem estratégias para proteger o patrimônio imaterial cigano e incluí-lo nos currículos escolares.
- Preservação da memória:
Manutenção da transmissão oral: histórias, músicas, danças, artesanato, crenças e leis comunitárias continuam sendo passadas de geração em geração, como forma de resistência
- Valorização da língua e expressões artísticas:
Festivais, encontros e feiras culturais reforçam a identidade e quebram estereótipos.
- Direito ao modo de vida:
- Preconceito enraizado e representações negativas na mídia.
- Pouca presença nos livros didáticos e desconhecimento geral da sua história.
- Risco de perda de tradições pela pressão à assimilação e exclusão social.
- Ainda hoje, são um dos grupos mais discriminados e marginalizados do mundo.
Desafios que ainda existem:
O Porajmos foi uma tentativa brutal de apagar o povo cigano e toda a sua cultura.
Hoje, a preservação cultural não é só manter costumes: é reconhecer que existem, que resistiram e que sua história faz parte da história humana.
Lembrar o genocídio e apoiar suas lutas é fundamental para que o passado não se repita e para que sua identidade seja respeitada como patrimônio de todos nós.
Fotos/videos:







