segunda-feira, 14 de setembro de 2015

A criminalização da discriminação




O que a discriminação e quando ocorre?

A discriminação consiste no ato de diferenciar, excluir e restringir uma pessoa com base na sua raça, cor, ascendência, religião ou etnia.

A dignidade da pessoa humana, é um principio constitucional que possui um valor intrínseco ao indivíduo, portanto, indisponível e irrenunciável. Sua efetividade é corolário do seu caráter supra constitucional explícito na constitucional em seu artigo 5º figurando enquanto clausula pétrea (não poderá ser modificada sob nenhuma hipótese em PEC's).

Podemos afirmar que, independentemente de uma previsão expressa na Constituição, a dignidade da pessoa humana deve ser assegurada, sob o risco de se estar violando vários outros bens jurídicos, tais como a vida, a liberdade, a integridade física, entre outros. Dessa forma, o amplo grau de precedência do princípio da dignidade humana permeia a proteção da pessoa de forma holística.

São várias são as passagens na Constituição Federal que denotam a dignidade da pessoa humana, como no artigo 5º, incisos III (não submissão a tortura), VI (inviolabilidade da liberdade de consciência e de crença), VIII (não privação de direitos por motivo de crença ou convicção), X ( inviolabilidade da vida privada, honra e imagem), XI (inviolabilidade de domicílio), XII (inviolabilidade do sigilo de correspondência), XLVII (vedação de penas indignas), XLIX (proteção da integridade do preso) etc.
Nesse sentido, Flávia Piovesan diz que (2000, p. 54):
A dignidade da pessoa humana, (...) está erigida como princípio matriz da Constituição, imprimindo-lhe unidade de sentido, condicionando a interpretação das suas normas e revelando-se, ao lado dos Direitos e Garantias Fundamentais, como cânone constitucional que incorpora “as exigências de justiça e dos valores éticos, conferindo suporte axiológico a todo o sistema jurídico brasileiro.

Diz ainda a autora que (2004, p. 92):
É no valor da dignidade da pessoa humana que a ordem jurídica encontra seu próprio sentido, sendo seu ponto de partida e seu ponto de chegada, na tarefa de interpretação normativa. Consagra-se, assim, dignidade da pessoa humana como verdadeiro super princípio a orientar o Direito Internacional e o Interno.
A religião do ciganos é algo considerado confuso perante á sociedade, Especialmente quando o assunto é a ciganidade. 

Tal falta de conhecimento a muitos anos é considerada como uma das principais causas da discriminação contra o cigano, desde a sua chegada ao Brasil em meados do século XVI. que evolui criminalmente para o racismo e ou injúria racial dependendo da quantidade de vítimas.

Antigamente acreditava-se que a religião  dos ciganos pautava-se em cima da espiritualidade. isso acontecia devido a leitura de mãos, comumente exercida pelas ciganas como tarefa laboral na busca do sustento familiar. 

Até os dias atuais a religião do cigano ainda é desconhecida pela sociedade, e isso acontece em todo o mundo. As pessoas não conseguem distinguir se essa prática de ler mãos é uma arte, um dom ou uma religião.

Esmiuçando os adjetivos acima descritos com a finalidade de compreender melhor, veremos que o dom é algo que nasce com o indivíduo e com o passar dos tempos é lapidado durante a prática, A arte por sua vez seria algo relacionado a uma prática de  aprendizado, não nasce com o indivíduo. A religião é algo que o cigano pode escolher, ou até mudar se não estiver satisfeito, de acordo com suas crenças.

O que se sabe de fato é que essa dualidade entre etnia x religião ainda confunde a sociedade quando falamos de ciganos.

A auto declaração:

Recentemente foram criadas leis que amparam legalmente a auto declaraçãosendo um direito de cada individuo autodeclarar-se, desde que seja reconhecido pelo seu povo. Nao utilizando-se da má fé.

Vale salientar que a não aceitação da condição étnica do indivíduo de forma a constrange-lo publicamente resulta em crime tipificado nas leis do Brasileiras.

vale salientar de que conforme expresso em lei, essa auto declaração só terá validade legal com o reconhecimento do seu povo. 

cigano calon só deve reconhecer cigano calon devido a sua herança familiar, genética, etc. e cigano rom da mesma forma. 

não há como uma etnia diferente reconhecer a outra devido a comunicabilidade verbal, cultural entre grupos diferentes que não falam a mesma língua e não seguem os mesmos costumes.
  • Lei 6.040/07 - lei da Política Nacional de Desenvolvimento Sustentável dos Povos e Comunidades Tradicionais.
  • Lei 13.123/15 - A lei do acesso ao patrimônio genético, sobre a proteção e o acesso ao conhecimento tradicional associado e sobre a repartição de benefícios para conservação e uso sustentável da biodiversidade. (e seguintes)

A ciganidade

A ciganidade é algo muito discutido em nosso meio social, afinal trata-se de alguém que possui o sangue cigano, mesmo nada conhecendo sobre a sua cultura.

Muitos dize que essa descendência teve inicio quando os homens ciganos chegavam em uma nova cidade, boêmios, traziam com eles a herança de uma família numerosa. sempre quando iam embora, deixavam filhos no ventre das não ciganas e com um certo tempo voltavam para buscar.

Comenta-se que daí tenham surgindo os ditados populares que fazem menção a essa atitude. Quem nunca ouviu dizer: "cuidado! não saia, os ciganos te levam" essa nomenclatura popular originou-se dessa particularidade que poucos sabem, mas era o que realmente acontecia.

Com essa atitude, criou-se o dito popular que os ciganos "roubavam as criancinhas" mas o que acontecia de verdade é que ele sempre voltavam para pegar seus filhos. sabendo disso, algumas não ciganas mudavam de cidade na esperança de esconder a paternidade dos seus filhos evitando que seus pais ciganos voltassem para pegá-los.

De nada adianta tal ação, o sangue cigano sempre "fala" e nos mostra em atitudes quem realmente somos, isso é algo que os ciganos carregam consigo. A sociedade chama de intuição.
É algo inexplicável que só quem é cigano sabe, conhece. Os ciganos possuem uma intuição tão forte, que criou-se vários ditados referentes a isso. alguns impronunciáveis.

Os ciganos do grupo rom chamam os mestiços ciganos de pot-hat (quer dizer mestiços em romanes)ou metcha-metcha (quer dizer metade cigano metade gadjon) já os calons chamam os mestiços de "calon juron". Filhos de cigano com não cigana, ou vice-versa.

As pessoas que nasceram fora das comunidades ciganas, mesmo sendo filhos, netos e bisnetos dos ciganos são considerados ciganos devido a paternidade, independente se a mãe é cigana ou não. porém possuem certa dificuldade de aceitação por parte dos ciganos que não saíram de suas raízes familiares. Que não saíram das comunidades ou grupos.

Antigamente se conhecia o cigano pelo sobrenome, mas hoje isso não é fator decisivo no auto reconhecimento. após isso, pelas suas vestes, hoje é difícil dizer, a roupa deixou de ser fator determinante em seu reconhecimento. pode-se perfeitamente deparar-se com uma cigana de calça jeans ou short, e uma jurin/gadjin (não cigana) de vestido.

A oralidade (língua cigana) até o século passado foi fator extremamente determinante no auto reconhecimento. Mas com a chegada da internet, isso ficou mais difícil de se fazer, e hoje não é algo que se diga que é cem por cento seguro, devido ao grande numero de não ciganos dentro das comunidades fazendo pesquisas para trabalhos de universidades.

Mesmo assim, os ciganos criaram o hábito de modificar a língua vez por outra quando uma palavra se torna conhecida demais pelos não ciganos. e isso acontece em qualquer lugar, não existem lugares específicos para acontecer.

A etnia/raça dos ciganos

O conceito de etnia diz que essa palavra é um substantivo feminino, e quer dizer
coletividade de indivíduos que se diferencia por sua especificidade sociocultural, refletida principalmente na língua, religião e maneiras de agir; grupo étnico [Para alguns autores, a etnia pressupõe uma base biológica, podendo ser definida por uma raça, uma cultura ou ambas; o termo é evitado por parte da antropologia atual, por não haver recebido conceituação precisa, mas é comumente empr. na linguagem não terminológica.].

A raça segundo seu conceito está relacionada as características dos grupos étnicos.
divisão tradicional e arbitrária dos grupos humanos, determinada pelo conjunto de caracteres físicos hereditários (cor da pele, formato da cabeça, tipo de cabelo etc.) [Etnologicamente, a noção de raça é rejeitada por se considerar a proximidade cultural de maior relevância do que o fator racial.].

Se faz necessário analisar cautelosamente os conceitos acima descritos de modo a entender em que momento a religião entra na condição étnico racial do cigano, o que é hoje um dos principais fatores da discriminação contra o cigano, face o desconhecimento étnico cultural.

Desde a antiguidade, bastava o cigano chegar em algum lugar, que as pessoas trancavam as portas, aos gritos: "corre! lá vem os ciganos vão roubar as galinhas".

Nos dias atuais não é diferente, a diferença  é que com a criminalização dessa ação através de leis específicas, criou-se uma novo tipo de racismo, o racismo velado ou silencioso, e isso ainda acontece em diversos lugares públicos e ou privados. 

Nas escolas por exemplo, isso culmina em analfabetismo, tamanha a discriminação que eles sofriam e inda sofrem, isso terminava em um efeito cascata, não conseguiam empregos, comprometendo a sustentabilidade familiar.

Com sustento familiar abalado, restava aos ciganos pedir (manguiar) nas ruas, pois nas comunidades existem muitas crianças e idosos e estes, assim como qualquer pessoa precisam suprir suas necessidades básicas.

Nesse caso, utilizando o dom que Deus lhe deu "o dom da adivinhação" o que muitos confundem com religiosidade ou religião definida, os ciganos saem em busca de seu sustento. Iniciando-se aí uma grande mistura de conceitos a respeito do cigano. 


A discriminação por sua vez, é considerada uma das principais causas do nomadismo, o que é algo pouco discutido pelos ciganos. não se sabe se por medo, estes não revelam o motivo real de sua perseguição. Na verdade o nomadismo é o verdadeiro fruto da discriminação.
Ferindo principio constitucional da dignidade da pessoa humana, a discriminação faz com que os ciganos comecem a se "despir" culturalmente, esquecendo-se do que é "ser cigano".

A religião dos ciganos:

A religiosidade dos ciganos até hoje é uma incógnita para os não ciganos. Devido a forte espiritualidade dos ciganos, estes as confundem com etnia. Muitas pessoas acreditam que o fato de pertencerem a uma religião espírita o fazem também ser cigano, e isso não é verdade.
A ciganidade nasce com o individuo, porém a sua religião é opcional.

Independente da religião a que pertença, os ciganos sempre se destacam devido a sua intuição, a sua ancestralidade. acredita-se que seja esse um dos fatores que causam tantas duvidas aos não ciganos quanto a ciganidade daqueles que se auto declaram ciganos.

Antigamente, essa "confusão religiosa" deu causa a muitos males entendidos em alguns acampamentos, bastava acontecer algo diferente na cidade e de pronto a culpabilidade contra os ciganos aparecia. Lêdo engano! Os ciganos não possuem uma religião definida, podem assim como os não ciganos, pertencer a qualquer religião, inclusive a religião espirita em suas múltiplas especificidades, tais como; candomblé, umbanda, mesa branca, jurema etc... 

Notadamente identificou-se ciganos em todo o mundo, que pertenciam a diversas religiões diferentes em vários países, e isso em nada interferiu na sua etnia. podemos encontrar ciganos Budistas, Evangélicos, Católicos, Candomblecistas, Ubandistas, Ateus etc. pois o cigano pertence a uma etnia, e sua religião independe dela.

Tanta discriminação, resultou aos ciganos doenças psicológicas graves como a depressão, e também causou mortes nas comunidades ciganas. Muitos ciganos sem saber como e onde buscar socorro com tanta discriminação, afogavam se na bebida para esquecer tanta perseguição, alguns exageravam no uso de medicamentos antidepressivos, queria "viver" dormindo para não ver tanto sofrimento familiar. Muitos simplesmente sumiam no mundo renegando sua ciganidade. Segundo Zarco Fernandes, que se auto declara cigano "basta ser cigano para ser culpado".

A não aceitação da opção religiosa de qualquer pessoa, é crime tipificado na lei 11.635/07 - lei da Intolerância Religiosa. devido a inúmeros casos relatados por fiéis foram criadas leis especificas que fundamentam o crime, figurando ainda  como um direito constitucional, ou bem titulado do agente em questão.

Ressalta-se que o Brasil é um país laico, isso quer dizer que este não possui religião definida. É oportuno lembrar que a escolha religiosa de cada indivíduo é tema amplamente protegido como direito e garantia fundamental, e nesse instante condenando a intolerância religiosa.

A Injúria racial

A injúria racial está tipificada no artigo 140, § 3º do Código Penal Brasileiro e consiste em ofender a honra de alguém com a utilização de elementos referentes à raça, cor, etnia, religião ou origem. Recentemente, a ação penal aplicável a esse crime tornou-se pública condicionada à representação do ofendido, sendo o Ministério Público o detentor de sua titularidade.

Nas palavras de Celso Delmanto, "comete o crime do artigo 140, § 3º do CP, e não o delito do artigo 20 da Lei nº 7.716/89, o agente que utiliza palavras depreciativas referentes a raça, cor, religião ou origem, com o intuito de ofender a honra subjetiva da vítima" (Celso Delmanto e outros. Código Penal comentado, 6ª ed., Renovar, p. 305).

Corpo da lei:
Art. 140 - Injuriar alguém, ofendendo lhe a dignidade ou o decoro:
§ 3o Se a injúria consiste na utilização de elementos referentes a raça, cor, etnia, religião, origem ou a condição de pessoa idosa ou portadora de deficiência.

Ressalta-se que a diferencia entre a dualidade criminal acima descrita, refere-se a quantidade de vítimas que sofrem a ação.

O Racismo:

O crime de racismo, previsto na Lei 7.716/89, implica em conduta discriminatória dirigida a um determinado grupo ou coletividade. Considerado mais grave pelo legislador, o crime de racismo é imprescritível e inafiançável, que se procede mediante ação penal pública incondicionada, cabendo também ao Ministério Público a legitimidade para processar o ofensor.
Existem vários tipos de Racismo, os principais são:
  1. Racismo Individual: Advindos de atitudes individuais, manifestado por meio de estereótipos, comportamentos e interesses pessoais.
  2. Racismo Institucional: Preconceito advindo de Instituições política, econômica, no qual muitos indivíduos (negros, mulheres, índios) são marginalizados e rejeitados, seja diretamente ou indiretamente.
  3. Racismo Cultural: Ressalta a superioridade entre as culturas existentes, manifestada segundo crenças, religião, costumes, línguas, dentre outras. Esse tipo de racismo pode incluir elementos do racismo institucional e individual.
  4. Racismo Primário: Fenômeno emocional e psicossocial manifestado sem justificativa. Assim, o etnocentrismo é considerado um racismo secundário, enquanto o racismo terciário é o preconceito baseado em teorias científicas.
  5. Racismo silencioso: relatam atitudes discriminatórias de ação ou omissão as quais são baseadas em gestos, geralmente agem de forma silenciosa as quais inexistem fluência verbal.
Legislação sobre correlata sobre o assunto:
  • Dignidade da pessoa humana
  • Constituição Federal 
  • lei 11.635/07
  • Código penal (Art. 208 e Ss)
  • e demais leis específicas.
A discriminação é um processo doloroso a quem sofre, pois notou-se que grande parte de suas vítimas entram em depressão, e esse é um estágio em que o ser humano perde o controle de seu sofrimento.
Se faz necessário buscar ajuda nos órgãos competentes pois não são positivos os resultados de quem sofre na pele a discriminação, o racismo, a injúria racial, e muito menos a intolerância religiosa.

O Brasil é um pais laico, que repudia o racismo, a discriminação, a intolerância religiosa e quaisquer forma de discriminação em qualquer espécie. Sendo o principio da dignidade humana um direito constitucional irrenunciável e inalienável de cada ser humano.

Onde denunciar quando a discriminação ocorre na internet ou redes sociais?

Endereços para o envio de denúncias:
http://denuncia.pf.gov.br/
http://new.safernet.org.br/denuncie 
http://cidadao.mpf.mp.br/


DENUNCIE!!! Não deixe em pune!

Esse artigo é de minha autoria, construído na data de sua publicação. Seja justo. se necessitar copiar algo, credite os direitos autorais.

Fontes de pesquisas jurídicas:

http://www.significados.com.br/raca-e-etnia/
http://jus.com.br/artigos/23382/a-interpretacao-do-principio-da-dignidade-da-pessoa-humana-no-atual-contexto-da-constituicao-brasileira#ixzz3ldpwVl2S
http://www.direitonet.com.br/artigos/exibir/5787/A-dignidade-da-pessoa-humana-como-principio-absoluto
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/ConstituicaoCompilado.htm
http://www.jusbrasil.com.br/topicos/10612290/artigo-208-do-decreto-lei-n-2848-de-07-de-dezembro-de-1940
http://www.mpdft.mp.br/portal/index.php/conhecampdft-menu/nucleos-menu/ncleo-de-enfrentamento-discriminao-ned-mainmenu-130/3047-injuria-racial-x-racismo
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2007/decreto/d6040.htm
http://www.significados.com.br/discriminacao/
http://www.brasil.gov.br/cidadania-e-justica/2015/11/racismo-e-crime-saiba-o-que-e-e-como-denunciar

domingo, 13 de setembro de 2015

A religião dos ciganos

                     


A religião do ciganos é algo considerado confuso perante á sociedade, Especialmente quando o assunto é a ciganidade. 

Tal falta de conhecimento a muitos anos é considerada como uma das principais causas da discriminação contra o cigano, desde a sua chegada ao Brasil em meados do século XVI. que evolui criminalmente para o racismo e ou injúria racial dependendo da quantidade de vítimas.

Antigamente acreditava-se que a religião  dos ciganos pautava-se em cima da espiritualidade. isso acontecia devido a leitura de mãos, comumente exercida pelas ciganas como tarefa laboral na busca do sustento familiar. 

Até os dias atuais a religião do cigano ainda é desconhecida pela sociedade, e isso acontece em todo o mundo. As pessoas não conseguem distinguir se essa prática de ler mãos é uma arte, um dom ou uma religião.

Esmiuçando os adjetivos acima descritos com a finalidade de compreender melhor, veremos que o dom é algo que nasce com o indivíduo e com o passar dos tempos é lapidado durante a prática, A arte por sua vez seria algo relacionado a uma prática de aprendizado, não nasce com o indivíduo. A religião é algo que o cigano pode escolher, ou até mudar se não estiver satisfeito, de acordo com suas crenças.


A religião dos ciganos:

A religiosidade dos ciganos até hoje é uma incógnita para os não ciganos. Devido a forte espiritualidade dos ciganos, estes as confundem com etnia. Muitas pessoas acreditam que o fato de pertencerem a uma religião espírita o fazem também ser cigano, e isso não é verdade.
A ciganidade nasce com o individuo, porém a sua religião é opcional.

Independente da religião a que pertença, os ciganos sempre se destacam devido a sua intuição, a sua ancestralidade. acredita-se que seja esse um dos fatores que causam tantas duvidas aos não ciganos quanto a ciganidade daqueles que se auto declaram ciganos.

Antigamente, essa "confusão religiosa" deu causa a muitos males entendidos em alguns acampamentos, bastava acontecer algo diferente na cidade e de pronto a culpabilidade contra os ciganos aparecia. Lêdo engano! Os ciganos não possuem uma religião definida, podem assim como os não ciganos, pertencer a qualquer religião, inclusive a religião espirita em suas múltiplas especificidades, tais como; candomblé, umbanda, mesa branca, jurema etc... 

Notadamente identificou-se ciganos em todo o mundo, que pertenciam a diversas religiões diferentes em vários países, e isso em nada interferiu na sua etnia. podemos encontrar ciganos Budistas, Evangélicos, Católicos, Candomblecistas, Ubandistas, Ateus etc. pois o cigano pertence a uma etnia, e sua religião independe dela.

Tanta discriminação, resultou aos ciganos doenças psicológicas graves como a depressão, e também causou mortes nas comunidades ciganas. Muitos ciganos sem saber como e onde buscar socorro com tanta discriminação, afogavam se na bebida para esquecer tanta perseguição, alguns exageravam no uso de medicamentos antidepressivos, queria "viver" dormindo para não ver tanto sofrimento familiar. Muitos simplesmente sumiam no mundo renegando sua ciganidade. Segundo Zarco Fernandes, que se auto declara cigano "basta ser cigano para ser culpado".

A não aceitação da opção religiosa de qualquer pessoa, é crime tipificado na lei 11.635/07 - lei da Intolerância Religiosa. devido a inúmeros casos relatados por fiéis foram criadas leis especificas que fundamentam o crime, figurando ainda  como um direito constitucional, ou bem titulado do agente em questão.

Ressalta-se que o Brasil é um país laico, isso quer dizer que este não possui religião definida. É oportuno lembrar que a escolha religiosa de cada indivíduo é tema amplamente protegido como direito e garantia fundamental, e nesse instante condenando a intolerância religiosa.

Esse artigo é de minha autoria, construído na data de sua publicação. Seja justo. se necessitar copiar algo, credite os direitos

Diana.

quarta-feira, 2 de abril de 2014

Como as ciganas aprendem a jogar as cartas?



O jogo de “cartas ciganas” chamado comumente pelos ciganos rons de lilá romai, mas sem denominação pelos calons do RN, é uma das artes de adivinhações exclusivas das ciganas e pouco desconhecida pelas jurins (não ciganas), pois a cigana não lê como o descrito no roteiro que vem na caixa, elas leem as cartas e interpretam com a sua intuição. 

Assim como a cultura Cigana, todo o ensinamento das ciganas menores é totalmente ágrafo (não escrito), passada dos mais velhos para os mais novos, homens ensinam a homens e mulheres ensinam as mulheres, é assim que aprendemos.


Sendo a dever das ciganas mais velhas a tarefa de ensinar as ciganas mais novas, mesmo antes dos 10 anos, as ciganinhas já começam a aprender como se jogam. afinal, são as ciganas que trazem o sustento da família.

Antigamente, a lilá romai (cartas ciganas) eram jogadas com o baralho original aquele que encontrávamos com mais facilidade nas mercearias as chamadas bodegas.
Mas hoje em dia aos poucos foram substituídos por outros tipos de baralho, os chamados tarots, cartas egípcias, cartas ciganas, cartas dos anjos, etc. o que não quer dizer que sejam diferentes, pois na sua interpretação basicamente possuem o mesmo entendimento.

O mais famoso de todos os baralhos ciganos é o conhecido baralho de Lenormand,
Vamos conhecer um pouco sobre o baralho Lennormand.
(pesquisa feita virtualmente, publicada abaixo e com ela a sua fonte aqui creditada.)

Mademoiselle Marie-Anne-Adelaïde LeNormand 



Lenormand durante sua prisão em Bruxelas

Mademoiselle Marie-Anne-Adelaïde LeNormand ou simplesmente Mlle. Lenormand foi uma famosa cartomante francesa que também exercia, além de outras artes, a quiromancia. Muito famosa na antiguidade e inclusive na realeza, 

Lenormand nasceu em Alençon, na Normandia, segundo ela no dia 27 de maio de 1772, embora os documentos originais indiquem 16 de setembro de 1768. Perdeu seu pai quando tinha apenas um ano de idade e, a seguir, sua mãe, aos 5 anos. Foi enviada a um convento, de onde surgem os primeiros relatos de seus dons de clarividência. 

Estabeleceu residência, em Paris, no turbulento período que se seguiu à Revolução Francesa e, nessa cidade, consolidou sua fama de adivinha, de leitora da sorte. 

Em 1807, Mlle. Lenormand leu as mãos de Napoleão e descobriu sua intenção de se divorciar de Josefina. Para afastá-la de cena, ele a mandou à prisão, em 11 de dezembro de 1809, onde a vidente permaneceu durante doze dias, enquanto ele providenciava o divórcio. Esse fato foi o verdadeiro lançamento de sua carreira e ela se tornou a cartomante mais popular de sua época. Ativa e desembaraçada, escreveu perto de trinta livros, que continuam inéditos até hoje. 
As informações sobre elas são por vezes contraditórias. É tida como boa estimuladora de outras cartomantes, mais ou menos famosas. Por outro lado, alguns de seus detratores, entre os quais se encontram jornalistas contemporâneos, sustentam que sua lista de clientes eminentes era fruto da fantasia da "Sibila de Alençon" e que suas pretensas profecias eram sempre alardeadas após os fatos consumados... 

Em 25 de junho de 1843, aos 74 anos de idade, foi enterrada em Paris, no cemitério Père Lachaise. Alguns críticos disseram que seu maior dom era a habilidade de amealhar riquezas. De fato, por ocasião de sua morte, deixou uma grande soma de dinheiro. 



O primeiro Baralho de Lenormand



O baralho mais antigo com o nome de Mlle. Lenormand é o “La Sybille des Salons”. Foi inicialmente publicado em 1828 e compreendia o mesmo número de cartas do baralho comum: com 52 cartas, cada uma delas mostrando um personagem diferente.

Trata-se de um jogo voltado à cartomancia, que retrata um significado compreensível para as cartas: "conversa”, "viagem", "casamento". Segue um estilo que lembra as modernas histórias em quadrinho.

O baralho “A Sibila” foi mais tarde redesenhado pelo célebre ilustrador Grandville, Gérard Jean Ignace Isidore, e publicado com mesmo título, por volta de 1840, pela gráfica Grimaud.

As 52 cartas desse jogo correspondem ao baralho comum, com 13 cartas para cada naipe. Como acontece com o “Pequeno Lenormand”, estão incluídas apenas três figuras – Valete, Rainha e Rei – sem o Cavaleiro do Tarô Clássico.


O Baralho de Lenormand hoje em dia


As cartas do "Pequeno Lenormand" são numeradas de 1 a 36, numa ordem própria 
que não segue nem o critério de naipes nem o da numeração habitual das cartas de jogar

Em nome da Mademoiselle Lenormand foi impresso um outro jogo com 36 cartas, por volta de 1840, à cargo da casa impressora Grimaud. Ficou conhecido como o Pequeno Lenormand e somente décadas depois passou a ser reproduzido com a designação de "Baralho Cigano".

Esse jogo, na verdade, consiste de uma utilização parcial de 9 cartas de cada um dos quatro naipes do baralho comum, num total de 36 cartas. Ela utiliza apenas o Ás e as cartas numeradas de 6 a 10 e, no caso das figuras da corte, deixa o Cavaleiro de lado, como acontece, em alguns casos, com as cartas de jogar utilizadas na França nos últimos três séculos.

A explicação para isso é a existência de jogos populares como o "Piquet" que utilizava apenas 32 cartas do baralho comum, excluindo as cartas do 2 ao 6 de cada naipe.

Só agora, no início do século 21, tornou-se mais conhecido um baralho que mostra de modo claro que as 36 ilustrações que Lenormand adotou no seu baralho são cópias do jogo de lazer editado por Johann Kaspar Hechtel (1771-1799), jovem empresário alemão. Uma apresentação dessas informações e de seus desdobramentos foi preparada, em português, por Alexsander Lepletier: O jogo de lazer que virou oráculo.

Como já acontecia com o baralho de Etteila, outro famoso cartomante francês, anterior a Mlle. Lenormand, foram adicionadas gravuras às cartas numeradas. Trata-se de um recurso que, para a cartomancia, facilita a atribuição de significados práticos às cartas. Tal medida, se por um lado dá maior proximidade ao leitor, por outro, delimita e reduz drasticamente sua amplitude simbólica que pode ser atribuída a cada carta.

A popularidade do baralho Lenormand, estimulou incontáveis cópias e imitações por toda Europa e, até hoje, é redesenhado. Algumas variantes anunciadas como "Tarô Cigano" são facilmente encontradas no Brasil.

fontes de pesquisas: 

Fonte do texto aqui divulgado sobre Lenormand - extraído em 02/04/2014, ás 22:32hs. 
http://www.clubedotaro.com.br/site/h23_19_lenormand.asp
www.giordanoberti.it/html/articoli_lenormand.htm
http://cartomancie.exoteric.fr/le-petit-lenormand/rubrique268.html http://www.dotpattern.com/gamecard/tarot/index.html

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Santos Ciganos

SANTA SARA A KALÍ


Em 26 de setembro de 1965 (naquela mesma ocasião em que fomos comparados a Jesus), foi COROADA no Vaticano, por aquele mesmo vigário de Cristo (Paulo VI), uma Nossa Senhora de pele escura, descalça, com um vestido vermelho de barra dourada, tendo uma blusa azul escuro sobre outra azul celeste, cabelos pretos com um lenço vermelho sobre eles, segurando uma criança no colo. Decorridos 37 anos, no dia 8 de outubro de 2002, o papa João Paulo II, LAUREOU a mesma Nossa Senhora, proclamando-a como “RAINHA DOS CIGANOS”. Inclusive, instituiu a seguinte oração:
“Ó Mãe, que conheces os sofrimentos e as esperanças da Igreja e do mundo, assiste os teus filhos nas provações quotidianas que a vida reserva a cada um e faz com que, graças ao esforço de todos, as trevas não prevaleçam sobre a luz. A Ti, aurora da salvação, confiamos o nosso caminho no novo milênio para que, sob Tua guia, todos os homens descubram Cristo, luz do mundo e único Salvador, que reina com o Pai e o Espírito Santo pelos séculos dos séculos. Amém.” 
IMPORTANTE:

- Confeccionada em estilo “barroco”, cada imagem é consagrada antes da pintura e depois, antes da colocação do diclô.
- O MANTO: Em vermelho e amarelo-ouro para os ciganos Calon; azul e branco para os Kalderasch.
- FLORES: Ao redor dos pés e do manto, pois conta a história que, “ao desembarcar na praia, onde Sara pisava nasciam flores”.

Como nós ciganos, Santa Sara Kalí tem suas origens envoltas nas brumas da lenda e do mito. O epíteto "Kali" significa "negra” (em língua Kaló), porque sua tez é escura. Seu culto se liga ao culto das Madonas Negras.
O fato é que Sara é uma “santa” de culto local, de existência tolerada, mas não oficialmente reconhecida pela Igreja Católica, (embora inúmeras fontes afirmem que sua canonização consta de 1712). Em Camargue, ela é representada por uma imagem de madeira, de cor negra, vestida com ricos brocados e guardada no interior da cripta da igreja de Nossa Senhora do Mar, principal templo católico de Saintes-Maries-de-la-Mer. No Brasil, vários grupos ciganos a invocam, também com o nome de Nossa Senhora Aparecida e Nossa Senhora da Penha.

Ao contrário de Zeferino Giménez Malla, Sara Kalí ainda não foi oficialmente canonizada. Mas para os ciganos, ela intercede junto a Jesus Cristo em nome daqueles que desejam receber ajuda divina em todos os aspectos da vida. Além de trazer saúde e prosperidade é cultuada principalmente pelas mulheres, por ajudá-las diante da dificuldade de engravidar. Desde muito, quando não conseguiam ter filhos faziam promessas a ela e, se concebessem, iriam a sua cripta. Lá faziam uma noite de vigília e depositavam em seus pés - como agradecimento, um lenço de cabeça dicrô (sempre o “mais bonito” que encontrassem). São milhares os lenços deixados lá como prova dos seus milagres. As pessoas fazem todo tipo de pedido para Santa Sara, por sua fama de atender todos os que depositam verdadeira fé nela. Mas perseguirá os opressores, os racistas, aqueles que vão contra seus protegidos primeiros (os ciganos). Santa Sara é a santa dos desesperados, dos ofendidos, dos desamparados e das causas “impossíveis”.

o templo mais antigo e mais cultuado, localiza-se em Saintes-Maries-De-La-Mer.
Através de uma longa noite de vigília e orações, os ciganos e devotos espalhados pelo mundo inteiro, com candeias de velas azuis, flores e vestes coloridas, além de muita música e muita dança, reverenciam a PADROEIRA dos ciganos nos dias 24 e 25 de maio. Este simbolismo religioso, com orações, danças e músicas representa, em nossas tradições, o processo de purificação e renovação da natureza e o eterno “retorno dos tempos”.

A ORAÇÃO EM LÍNGUA ROMANI
TU KE SAN PERVO ICANA ROMLI ANELUMIA
TU KE BILADIATO LE GAJIE ANASSOGODI GUINDIÇAS
TU KE DARADIATO LE GAJIE, TAI CHUDIATO ANEMARIA,
THIE MERES BI PAIESCO TAI BOCOTAR
JANES SO SI E DAR, E BOCK, THAI O DUCK ANO ILÔ
THIENÁ MEKES MURRE DUSMAIA THIE AÇAL
MANDAR THAI THIE BILAVELMA
THIE AVES MURRI DUKATA ANGRAL O DHIEL
THIE DHIESMA BAR, SASTIMÔS, THAI THIE
BLAGOIS MURRÔ TRAIO.
THIE DIEL O DHIEL.

Tradução:
Tu que és a única santa cigana do mundo
Tu que sofrestes todas as formas de humilhação e preconceitos
Tu que fostes amedrontada e jogada ao mar,
para que morresses de sede e de fome
Tu sabes o que é o medo, a fome e a dor no coração.
Não permitas que meus inimigos zombem de mim ou me maltratem
Que tu sejas minha advogada perante o deus.
Que me concedas sorte, saúde, e que abençoe a minha vida.
Amém.
Protegidos

Santa Sara Kali protege as mulheres quem estão com dificuldades para engravidar. Muitas ciganas que não conseguiam ter filhos faziam promessas a ela, no sentido de que se engravidassem. Se isso de fato ocorresse, as gestantes iriam à cripta da Santa, em Saintes Maries de La Mer no sul da França, fariam uma noite de vigília e depositariam em seus pés como oferenda um diklô (um lenço cigano), o mais bonito que encontrassem. Neste local existem milhares de lenços, como prova de que muitas ciganas receberam esta graça.

Lendas

Muitos livros contam que teria ela acompanhado as três Marias (Jacobé irmã de Maria e mãe de Jesus, Salomé mãe dos apóstolos Tiago Maior e João e Madalena), que juntos com José de Arimatéia, fugiram da Palestina numa pequena barca, transportando o “Santo Graal” (o cálice sagrado) que seria levado para um mosteiro da antiga Bretanha. Dizem ainda, que a barca teria perdido a direção durante o trajeto e atracado no porto de Camargue, às margens do Mediterrâneo, que por sua vez ficou conhecido como "Saintes-Maries-De-La-Mer", transformando-se desde então num local de grande concentração dos ciganos. Santa Sara passou a ser comemorada e reverenciada todos os anos nos dias 24 e 25 de maio, por meio de uma longa noite de vigília e oração, na foz do rio Petit Rhône, na província de Languedoc, sul da França, onde milhares de ciganos do mundo inteiro passaram a se reunirem todos os anos. A imagem de Santa Sara fica na cripta da igreja de Saint Michel, onde estariam depositados seus ossos.

Muitas lendas publicadas por não-ciganos acabaram confundindo a história de Santa Sara Kalí. Muitas versões contadas vêm atrapalhando seu processo de santificação. Para alguns ela foi uma “antiga rainha das terras de Camargue”; outros a vêem como uma “egípcia” ou “negra africana” levada de uma para outra margem do Mediterrâneo; há quem a considere uma “sacerdotisa do antigo culto oriental ao deus Mitra; outros ainda acham Sara a “personificação de uma divindade feminina dos celtas” (uma espécie de Grande Mãe ligada a terra)...

Uma das explicações para estas histórias é que em Camargue existiram várias colônias de antigas civilizações, como a egípcia, a cretense, a fenícia e a grega. Por isso, muitos poetas e menestréis contaram a história de Sara, de acordo com o que ouviram de seu povo, e assim, o mito em torno dessa poderosa santa foi difundido pelo mundo.

Há muitas lendas sobre Santa. Algumas falam que ela era serva e parteira de Maria e que foi ela que trouxe Jesus ao mundo. Outra lenda diz que ela era serva de Maria Madalena.
A lenda mais comum conta que Maria Madalena, Maria Jacobina, Maria Salomé, José de Arimatéia e Trofino, junto com Sara, uma serva, foram atirados ao mar, numa barca sem remos e sem provisões.Desesperadas, as três Marias puseram-se a orar e a chorar. Neste momento Sara retira o diklô (lenço) da cabeça, chama por Jesus Cristo e promete que se todos se salvassem ela seria escrava de Jesus e jamais andaria com a cabeça descoberta em sinal de respeito. Milagrosamente, a barca sem rumo e à mercê de todas as intempéries, atravessou o oceano e aportou com todos salvos em Saintes-Maries-de-La-Mer. Sara cumpriu a promessa até o final dos seus dias.
Hoje, as pessoas fazem todo tipo de pedido para Santa Sara, pois ela possui a fama de atender todos os que tem verdadeira fé. Santa Sara é a santa dos desesperados, dos ofendidos e dos desamparados.
Abaixo destaco duas Orações para fazer a Santa Sara Kali no dia dela ou em qualquer momento que necessitar de sua ajuda.

Primeira oração de Santa Sara Kali

Santa Sara, minha protetora, cubra-me com seu manto celestial. Afaste as negatividades que porventura estejam querendo me atingir. Santa Sara, protetora dos ciganos, sempre que estivermos nas estradas do mundo, proteja-nos e ilumine nossas caminhadas. Santa Sara, pela força das águas, pela força da Mãe-Natureza, esteja sempre ao nosso lado com seus mistérios. Nós, filhos dos ventos, das estrelas, da Lua cheia e do Pai, só pedimos a sua proteção contra os inimigos. Santa Sara, ilumine nossas vidas com seu poder celestial, para que tenhamos um presente e um futuro tão brilhantes, como são os brilhos dos cristais. Santa Sara, ajude os necessitados; dê luz para os que vivem na escuridão, saúde para os que estão enfermos, arrependimento para os culpados e paz para os intranquilos. Santa Sara, que o seu raio de paz, de saúde e de amor possa entrar em cada lar, neste momento. Santa Sara, dê esperança de dias melhores para essa humanidade tão sofrida. Santa Sara milagrosa, protetora do povo cigano, abençoe a todos nós, que somos filhos do mesmo Deus.
Segunda oração de Santa Sara Kali 
Farol do meu caminho! Facho de Luz! Paz! Manto Protetor! Suave conforto. Amor! Hino de Alegria! Abertura dos meus caminhos! Harmonia! Livra-me dos cortes. Afasta-me das perdas. Dai-me a sorte! Faz da minha vida um hino de alegria, e aos seus pés me coloco, minha Sara, minha Virgem Cigana. Toma-me como oferenda e me faz de flor profana o mais puro lírio que orna e traz bons presságios à Tenda. Salve! Salve! Salve!




São Ceferino Giménez Malla



Em 4 de maio de 1998, na Praça de São Pedro, o papa João Paulo II fez do espanhol Calon, CEFERINO GIMÉNEZ MALLA, provavelmente nascido em 26 de agosto de 1861, em Benavent de Segriá (Lérida-Catalunha), o primeiro SANTO cigano do mundo, num processo diocesano iniciado em Barbastro, a 27 de Novembro de 1993. Comparando Ceferino com Jesus, o pontífice citou Mateus 9,35: “Ele andava por todas as cidades e aldeias”.

Milhares de ciganos, dos mais diferentes países participaram da missa de beatificação de “São Zeferino”. Com suas músicas, cores e alegria, literalmente os Rom tomaram conta da Praça de São Pedro, na cidade do Vaticano, para homenagear São Zeferino e pedir as suas bênçãos. No Vaticano há um quadro pintado do santo-cigano, onde lemos: “Quadro que retrata a grande devoção à Eucaristia e ao Rosário do Beato Ceferino Giménez Malla, um verdadeiro cigano, cristão e mártir, pleno do amor de Cristo”.

Esta foi à profecia do juiz espanhol que decretou a inocência do cigano Ceferino, preso por suposto roubo de cavalos: “El Pelé não é um ladrão. Ele é São Zeferino Gimenez Malla, o patrono dos ciganos”.

Comerciante de cavalos, nascido na Catalunha (Espanha) em 1861, são muitas as maravilhas que se contam de “El Pelé”. Religioso a toda prova, catequista embora analfabeto, como bom cigano amante da natureza e das crianças, costuma bater sempre à porta dos pobres da região onde morava para dividir com eles mantimentos, bondade e solidariedade. A casa de Ceferino sempre esteve aberta para quem buscasse o que comer, um abrigo, ou um gesto de misericórdia. Casado aos 18 anos com uma kalin (cigana) de nome Teresa Jiménez Castro, não tiveram filhos, mas adotaram uma menina cigana de nome “Maruja”, que o acompanhou até o final de sua vida. Fica viúvo no dia 4 de dezembro de 1922. Quando se estabeleceu em Barbastro (Huesca-Aragona), soube, com a prudência de o cigano ganhar a estima também dos não-ciganos, passando a ser chamado pelos concidadãos de “presidente dos ciganos”, “advogado dos pobres” e “pacificador”. Entre seu povo, Ceferino vivia segundo a lei cigana: com força, mas na justiça. Sua sobrinha sempre dizia: “Tudo o que fazia tio Pelé, fazia-o com amor; espalhava amor em toda parte! Diante das dificuldades, sempre resignado, costuma dizer: “Deus o quis. Ele bem sabe o que faz. Que Deus seja Louvado.”

Em 1936, foi preso aos 75 anos de idade, durante a Guerra Civil Espanhola, onde, na zona sob o Governo Republicano, 6.783 padres, frades e freiras, além de 13 bispos e muitos simples cristãos foram assassinados, num sábado do dia 25 de julho, ao tentar interceder por um jovem sacerdote que estava sendo maltratado por milicianos. Ceferino foi preso ao exclamar: “Maria Virgem! Tantos homens contra um e até inocente!”
Depois de 15 dias no cárcere do convento requisitado das “irmãs Clarissas Capuchas”, recebe a visita de um amigo anárquico e influente, que a pedido de familiares, quis ajudá-lo. Encontra-o tranqüilo e orando, quando lê diz: “... Pelé, não te mostres mais a rezar tanto. Esconde esse terço e eu te libertarei...”

O cigano agradeceu sem lhe prestar atenção...

Nas primeiras horas do dia 9 de agosto daquele ano, Ceferino, atado a outros 12 condenados (inclusive o bispo Florentino), foi levado num caminhão para o cemitério da cidade. O condutor contou depois: “Durante toda a viagem, o cigano não deixava de gritar: “Que viva o Cristo rei!

Foi fuzilado (junto com os outros 12), com um terço nas mãos. Quem o matou lhe tirou as calças e os sapatos. Nu, seu corpo foi lançado numa fossa comum e jamais encontrado.

Nota: Barbastro e arredores é em proporção, a diocese mais rica de mártires da Espanha (82%). Durante a Guerra Civil foram mortas centenas de pessoas, além de: 1 bispo, 114 padres (dos 140 presentes na diocese), 51 jovens missionários, 18 monges, 8 frades professores, centenas de cristãos leigos (entre eles 18 da Ação Católica e 4 mulheres).

Padre Jorge Rocha Pierozan, atual vice-presidente da “Pastoral dos Nômades do Brasil”, que esteve presente naquele dia 4 de maio de 1998 no Vaticano, escreveu na revista “Sem Fronteiras”: “Beato Ceferino do Cavalo Branco, rogai por nós! Todos os anos, no dia 4 de maio, vamos celebrar com os ciganos a festa do beato Ceferino, padroeiro de sua raça. Enquanto isso, vamos rezar para que nosso mártir seja logo canonizado e que surjam outros (as) beatos (as) e santos (as) no meio dos grupos ciganos do mundo inteiro”.

Com aprovação eclesiástica do “Comitê Internacional para a Causa de Canonização - Piazza Missori, 4 – Milano - Itália”


ORAÇÃO DE SÃO CEFERINO:

“Deus Pai, grande e bondoso, com a luz e a força do Teu Espírito, uniste à paixão de Jesus o cigano Ceferino, primeiro mártir de seu povo. Nós Te agradecemos por terdes assim honrado todos os nômades do mundo, que tanto amas. Faze brotar entre sua gente -e na Igreja- missionários santos e ajuda-nos a imitar o exemplo deste verdadeiro homem de fé: repleto de amor por Ti e bom samaritano para com o próximo. Sustentados -como ele- pela Eucaristia e pela oração à Maria nos tornamos cristãos preparados para trilhar o caminho da cruz, na esperança de compartilhar eternamente a Tua glória. Amém!”



quarta-feira, 7 de setembro de 2011

A culinária cigana

  


A culinária cigana é rica e diversificada, muito embora pouco descrita. Durante séculos, o regime marcadamente animal de nossa alimentação, incrementou muitas ideias corrente sobre nosso povo. Relacionava-se o consumo de alimentos de origem animal com uma “prodigiosa força física”, embora nos concedesse um valor moral negativo: aqueles que consumiam predominantemente este tipo de comida, (como também os gaúchos) estavam associados pelos higienistas à maldade, à perversidade, ao gosto pela pilhagem e por assassinatos e à pouca inteligência. No entanto, a história ressalva, que a base da dieta dos ciganos em viagem não diferia muito da dos tropeiros, composta de: carne seca, feijão, angu ou farinha de milho ou mandioca, arroz, eventualmente aguardente, ou melaço como sobremesa.

No século XIX, com o crescente avanço da pecuária, por exemplo, em Minas Gerais, possibilitou aos ciganos, incorporar o leite e os queijos a sua alimentação, em virtude das negociações que mantiam com fazendeiros e sitiantes.
Entre os ciganos nômades, tanto a mesa quanto os talheres inexistiam, às vezes faltando até pratos. Eram improvisadas gamelas e outros utensílios, mas comiam com as mãos. Em alguns grupos as facas eram mais comuns, pois podiam ser usadas tanto para cortar quanto para introduzir o alimento na boca. Os alimentos eram cozinhados nos acampamentos, fixando-se três paus unidos pelas pontas para formarem uma tripeça, na qual se alocava o caldeirão ou tacho.

Variando de grupo para grupo segundo suas linhagens, regiões de assentamentos, influências locais etc., apresento alguns dos principais alimentos predominantes e os pratos da culinária cigana, porém sem divulgar o modo de preparo.


Pratos ciganos de origem grega. indiana, africana, espanhola, e brasileira.
Abaixo listados estaremos disponibilizando algumas comidas tradicionais muito utilizadas nas slavas (festas ciganas)

Cozidos:
  • Manouche: feijões vermelhos grandes, pedaços de carne e de ossos de pernil de porco, alhos-poró em pedaços, salsão com as folhas em pedaços, alhos comuns inteiros, cenouras e batatas cortadas em pedaços grandes, repolho cortado em 6 partes, cenouras, cebola cortada em duas partes, sal e pimenta-do-reino (moída na hora) a gosto; arroz branco que deve ser incorporado na última etapa do cozimento.
  • Goulash: cozido de arroz, batata, pedaços de carne bovina e páprica ardida.
  • Paprikach: costela defumada (bovina ou suína) e bacon ao molho vermelho de tomate e pimentão com batatas pequenas, cozidas na casca e páprica doce.
  • Sarmá: arroz com lentilha, carne seca desfiada e nozes.
  • Sarmali: pedaços de carne macia, de boi, pedaços de carne de porco (carne das costelas ou lombo), picar com facão e misturar ao cary, pimenta-do-reino, sal, salsa, cebolinha, colher de sopa de banha de torresmo. Adiciona-se folhas de repolho previamente cozidas sem amolecê-las, formando embrulhos quadrados.
  • Sarmy-Salmava: charutos ou rolinhos feitos em folha de repolho recheados com lombo ou carne bovina moída, azeitonas, bacon e molho dourado e/ou em folha de uva com recheio de bacalhau.
  • Cabén le maslo sar grane: milho de canjica (branco e amarelo) com carne seca, lingüiça e bacon.
  • Roletes: carne bovina ou frango com pedaços de cebola, pimentão (verde e amarelo) e tomate.
  • Kraknie: frango com cerveja preta.
  • Bucho de balichô recheado: 1 bucho de porco, água, limão e bicarbonato, farofa de miúdos de porco, sal e pimentas a gosto, gordura de porco para fritar.


Assados e frituras

Carnes de boi, de porco, de carneiro, de cabrito, aves e peixes. Antigamente, grelhados de forno assados hoje em panelas, eram assados no braseiro, em espetos de madeira aromática. Já a carne de carneiro deve ser raspada com as costas da faca, de véspera, sendo esfregada com hortelã verde, só removido no dia seguinte com vinho branco meio seco com sal.
  • Bakró: pernil de carneiro.
  • Cabrito frito: com arroz e brócolis (lentilha ou nozes).
  • Balo (pernil de leitoa): 1 leitoa de aproximadamente 6 quilos limpa, sal, alho, pimentas malagueta e do reino, óleo de soja. Assar, preferencialmente em forno de lenha.
  • Balichô na gordura: 1 lombo, sal, alho, pimentas malaguetas e do reino a gosto, salsa, cebolinha e coentro.
  • Sharch: costeletas de lombo de porco em pedaços, com pedaços grandes de carne de boi macia, metades de toucinho de fumeiro, pedaços carnudos de frangos, metades de codornas ou borrachos, cebolas inteiras de conserva.
  • Torresmo Calon: 5 quilos de toucinho com pele, sal, alho, pimenta do reino, 6 colheres (sopa) de álcool.

Peixes e crustáceos

  • Os alimentos do mar devem ser marinados com vinho branco ácido, grão de coentro socados e cary (ocuri dos indianos).
  • Peruá ou cação: frito com fubá ou farinha de rosca, leite de coco, arroz (empapado) salsa, coentro, cebolinha, limão, molho inglês.
  • Camarão ou lagostim seco: deve ser preparado em tacho de cobre bem limpo. Antigamente aquecia-se o tacho em fogueira. Ingredientes: sal grosso, folhas de louro verdes e secas. Deve ser mexido com colher de pau até desaparecer a espuma. Depois se retira e espalha-se para secar ao sol. Deve ser servido na folha de repolho...
  • Bacalhau calon (ou espanhol): ½ quilo de bacalhau demolhado, 4 pimentões verdes, ½ quilo de tomate, 3 alhos picados, 2 colheres de chá de açúcar, farinha de trigo, sal a gosto e pimenta malagueta a gosto.
  • Ensopado de caranguejo (ou siri): 2 “cordas” (preferencialmente de caranguejo), sal grosso, molho inglês, limão e queijo ralado.
Massas:
  • Malay: pão de milho.
  • Manrô-Kolako: pão redondo de farinha de trigo.
  • Mamalyga: polenta, linguiça mista e bacon.
  • Naut: grão de bico, linguiça, bacon, salsa, cebolinha, coentro e farinha.
  • Papuchá: pirão de milho.
  • Pão da Baba (ou de Santa Sara): 100 gramas de fermento biológico, 1 litro de leite morno (quase quente), 1 quilo de farinha de trigo, 150 gramas de margarina, sal, açúcar. Misturar entre as mãos até “borbulhar”. bater a massa por 3 vezes até cansar! Tampar e aguardar 30 minutos.
  • Macarrão com Berinjela: 1 cebola, 3 dentes de alho (azeite), 2 berinjelas, 1 colher de sopa de sal, 1 colher de sopa de açúcar, pimenta do reino, massa de tomate, carne cortada em tiras, macarrão rolinho (misturado a massa).

Queijos e saladas:

Brynza: queijo de Cabra (cru ou frito) preparado com orégano.
Armianca: salada de alface e tomate (em rodelas) com champignon; queijo de cabra, cenoura, beterraba em pedaços e berinjela frita (em tiras). Enfeitar com uvas-passa, raminhos de hortelã e pétalas de flores.

Bebidas:
  • Chivuisa: destilado à base de trigo (espécie de aguardente).
  • Sangria calon: vinho tinto, frutas (pedaços de abacaxi, maçã, laranja, uva etc.), água mineral e conhaque.
  • Sifrite francês: ponche de frutas com champanhe, vinho e/ou refrigerante. Enfeitar com pétalas de rosa.
  • Sifrite calon (ou Raulina): maracujá, aguardente, leite condensado, pau de canela, cravo da Índia, hortelã e açúcar. 
  • Tchaio-Kavi: chá feito com erva mate e pedaços das seguintes frutas: maçã (felicidade); uva fresca (prosperidade); uva passa ou ameixa (progresso); morango (amor); damasco (sensualidade); pêssego (equilíbrio pessoal) e limão (energia positiva e purificação da alma). Fazer o chá em água fervente e deixar amornar. Colocar as frutas maceradas, misturar bem, coar e beber.
  • Tai Ximbire Rimili: chá preto ou mate, aguardente, canela, cravo e hortelã.
  • Gingia: bebida típica dos Calon da Ilha da Madeira é uma bebida licorosa e muito saborosa. Em tributo ao meu “tetravô” João Gonçalves Zarco, vou ensinar o preparo: 1 k de gingia, 1 k de açúcar, 1 litro de aguardente e canela em casca. Lavar bem os frutos (que devem ser perfeitos) enxugá-las, cortar os pés ao meio no sentido do comprimento, sem os tirar; pô-las num recipiente de vidro de boca larga; despejar o açúcar por cima, a canela e a aguardente, até cobri-las... Deixar macerar por 6 semanas.

 Tortas e doces:

  • Civiaco tradicional: um queijo Minas, 500 gramas de passas sem caroço, 12 ovos. Misturar tudo em 1 litro de óleo de soja, com 150 gramas de margarina. Adicionar 1 k de farinha de trigo, 1 ovo, sal, açúcar, água (morna, quase quente), 3 colheres rasas de “Pó Royal”. Amassar bastante... Depois de 1 hora, cortar e abrir.
  • Libanitza: 500 gramas de farinha, 500 de “Maisena” 3 ovos, 250 gramas de margarina, leite, meio-queijo Minas grande, 4 litros de leite “C”, 4 ovos, 200 gramas de queijo ralado, 2 colheres de margarina, 1 xícara de chá de “Pó Royal”. Bater no liquidificador... Pré-aquecer o forno por 15 minutos... Levar ao forno por mais ou menos 1 hora. Polvilhar queijo ralado.
  • Cartuechas: banana da terra frita na manteiga, chocolate ralado, queijo de cabra e açúcar.
  • Varenyky: pastel cozido (podendo ser doce) recheado com uva, ou salgado (recheado com batata ou queijo de cabra).
  • Guipén: Doce de ameixa preta e leite condensado.

ATENÇÃO:

CONTEÚDO DEVIDAMENTE REGISTRADO, Registro nº TJGM 17.427-91 – C.

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